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domingo, 2 de dezembro de 2012

O QUINTAL

                                                                           

Quando recebeu de herança da mãe a casa velha fechada há anos, não sabia que havia um sujeito elíptico, um eu que se ocultava entre as arvores do quintal sombreado, protegido ali das dores do mundo. Ao abrir lentamente a porta, os ferrolhos carcomidos pelas ferrugens soaram um ranger de lamento, era o tempo!

A casa se apresentara à sua frente, mostrando os cômodos à medida que abriam-se as janelas ao sol morno das primeiras horas do dia. Janaína, lembrando esse dia, diz ter ouvido gritinhos de prazer.  "Bem provável, quantas almas ali aprisionadas devem ter experimentado, depois de anos, a luz e o calor"!

Respeitosamente, como quem pede autorização, adentrou ao espaço mágico, voltou ao templo da felicidade - o quintal - parecia intocável, reconhecia cada arvore e elas ao vê-la, deixavam escapar pelas folhas um forte aroma de satisfação. O reencontro, o êxtase.

Uma goiabeira abaixou seus galhos num formato de braços, onde ela se aconchegou, só saindo quando sentiu em suas pernas, coceirinhas. Eram as saúvas,  não mais aquelas,  outras que ao nascerem ouviram estórias do tempo em que havia ali no reino uma humana especial. Todas elas subiam e desciam as pernas como se ali fosse, também, terra.

Seus dias passavam-se todos ali, lembrava das horas de estudo debaixo da cajazeira, amiga e vizinha da jambeira , mas nunca estudava lá, as frutas e as flores caídas lambuzavam tudo de roxo!

Os outonos mágicos em que dia sim dia não, varia as folhas e se entretecia com os formatos de uma e de outra querendo nisso descifrar mensagens  ocultas da natureza, recados dos amigos duendes, elementares queridos que assim como ela guardavam aquele recanto.

Lembrava do dia em que surpresa vira ali no pequeno jardim sua irmã mais velha , filha só de seu pai, mas que a mãe de coração terno a acolhera como filha, ajoelhada como se estivesse rezando, visita essa que se repetiria diariamente por anos, até que com o casamento passara a ir de ano em ano em um dos nossos tantos feriados.

Nesse mesmo período passou a ver perambulando pelo quintal um menino de uns 11 a 12 anos que se escondia por trás das arvores observando-a. O mais estranho é que nunca se assustara com tal aparição, sabia intuitivamente que era um ser espiritual, "um fantasma"e  que de maneira alguma a faria mal. Aos poucos ele foi se achegando, lembra bem desse dia. "Estava brincando com meus amigos "imaginários" quando ele se encorpora ao grupo e aos poucos, no meio da brincadeira, vamos  passando informações tornando-nos assim parceiros".

Ninguém nem nada que compunha aquele cenário se ressentia dessa parceria, nem as arvores, nem as flores, nem os insetos, nem as pedras. Todos na verdade se  alegraram com mais uma presença "humana"  para participar dos jogos e das brincadeiras.

- Tempos depois, já adulta, é que fiquei sabendo que o menino na verdade poderia ter sido meu sobrinho, então compreendi a presença de Laura no jardim!

domingo, 16 de setembro de 2012

A RAZÃO

RAZÃO

As rimas, que sem querer insistem
em aparecer, nadam dizem.
Tentam balançar as palavras
em ritmo de dança dos
sentidos.

Desconjuntadamente,
dançam os leitores também
em busca de captar
alguma "coisa"!


Mas, não tem nada não -
O poema não tem sentido -

Ele faz sentido em seres
que não são sãos -

Oh meu São Longuinho,
dou três pulinhos e o que havia perdido,
restitua-me.

Amém!



terça-feira, 21 de agosto de 2012

ESQUECE

Decorrido tanto tempo, meu bem,
há volta sim!
Um suposto recomeço,
retorno ao paraíso,

ao incio do amor.

Suposto, amor!
Porque, veja,
observe de longe
como em um filme,
aquele amor ...

não existe mais!

mas como em uma
colcha de retalho,
juntamos os pedaços
e nos aquecemos.

Os pés gelados e as mãos soltas
se re-encontram.
As bocas famintas e os os corpos carentes
se abastecem de amor.

Na expectativa de uma nova crise,
nos fartamos um do outro
Ursinho hibernante é nosso amor,
come, come e depois ...

adormece!








quinta-feira, 16 de agosto de 2012

SENHORA


Movida pelo som abafado
que vem do  peito,
continua feito sonâmbula
pela vida

arrastada...

Segura bem firme
a corda que ata um fio tênue
de memória pra contar essa

historia.

Uma velha senhora bem vestida
e  comportada, unhas pintadas,
a boca borrada de um vermelho

antigo,

decide  abrir a compota
da água e inundar a praça de todo
o final de dia.

de talho em talho
emenda a mortalha que cobrirá
o velho corpo cansado.

Costura

fala

mistura.




















domingo, 15 de julho de 2012

Ninguém



Num sofá pequeno onde só cabe eu

deitada,

a fumaça dum imaginário cigarro

dança.

No escuro da sala

projeto fantasmas horripilantes

de um passado sombrio.

Tremo e meus lábios pronunciam

palavras inauditas

até há pouco.

Um sonho se instala naquele espaço

de um segundo!

Quem é você? uma voz distante,

pergunta.

Acordo,

o eco da resposta preenche a sala:

Ninguém!



domingo, 8 de julho de 2012

EXTENSÃO


Gira pra trás os ponteiros de um relógio doido.
Desconstruíndo a tempo as lembranças
de nosso amor enovelado
na trama da fragilidade.

Mecanicamente, segundo a segundo, a flecha
do tempo se reverte e nosso amor se refaz e
não faz.

Pronto!

Tudo no tempo é construto,
é de grão.





sábado, 7 de julho de 2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

O ALVO

Visto meu baby-doll preto sob meu corpo branco
e olhando de relance o colchão que tantos dormiram, lembro de seu
peito encostado ao meu, querido!

O que foi feito
de nossos sonhos?
A tempestade anunciada chegou
e suas botas de lama sujam nossos tapetes.

O ar pesado exige explicações.
Bobagens, as palavras.
Na boca fica melhor um ziper.

Suas coisas aparecem assim
bem diante de mim
e eu aproveito, apesar
do olhar vago!

Do pensamento lazo
e dos sonhos perdidos!









sábado, 19 de maio de 2012

VICISSITUDES



Na frente, uma bandeira amarela
empunhemos,
buscando ajustar o ritmo do coração
ao descompassado passo do tempo.

De acordo com o sopro que vem de longe,
respiremos lentamente, fixando
o olhar no horizonte.

Cinzas, as nuvens.
Movediças, as areias.
Tempestuosos, os mares.

CalmaMENTE!






domingo, 29 de abril de 2012

ETERNO RETORNO


Beijo de Flor
Buquê de Assas Lilases

Gotas de Chuva
Cristais de Orvalho

Miado de Gatos
Coaxar de Sapos

Pântano Lodoso
Tortuosas Árvores

A Casa Velha Vista de Longe!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Triste Bahia - Clô III - FIM!

"Jana!". Ouço uma voz distante. Reconheço Cris, Patricia, todos. Só não reconheço a mim. Meu Deus, o que é que eu estou fazendo aqui? Levanto com a ajuda de alguém, vou direto ao banheiro, lavo o rosto. Lá fora, Patricia me espera com um copo de água e açúcar.

Durante o expediente não consegui parar de pensar, mas como tinha muitas coisas pra fazer, pensava, mas nao pensava direito. Fiquei desbaratada, mil coisas vinham a minha mente Estava como num sonho, cujas imagens não fazem sentido. Sim, eu buscava um sentido para tudo aquilo. Uma sensação me assolava e eu entendia que não estava consciente das atitudes que tomava. Tudo aquilo que eu levava na brincadeira, tinha se tornado sério demais e exigia de mim uma nova postura.

Meus colegas me olhavam com pena e ao mesmo tempo como se eu pudesse explicar alguma coisa. Conversei com Patricia e ela concordou em me deixar sair mais cedo.

Chego em casa, não sei como! Sheila está na cozinha, fazendo não sei o quê! Olho pra mesa da sala e vejo o jornal. Corro pro quarto, tranco a porta, caio na cama e durmo.

Foi um sonho! penso assim que abro os olhos e percebo que estou na minha cama. Saio do quarto direto pra cozinha, mas antes passo na sala, o jornal está no mesmo lugar, mas Sheila, não! Passo de novo pela sala de soslaio olhando a mesa. Pego o celular para conferir a data e as horas. Eu dormir um dia inteiro?! meu Deus, é verdade!

A verdade está posta e eu não tenho pra onde fugir, caminho até a mesa, pego o jornal e abro na página policial, leio devagar a noticia, olhando as fotos pra me certificar que são eles mesmo - "casal assassinado a facadas na ribeira". Acompanho o texto pra ver se tem algum suspeito, falam do ex-marido dela, do ex-amante dele e os depoimentos dos vizinhos, tudo de uma forma meio tosca,  meio sem interesse!

Lá no escritório, só comentários. Os dias passam e as informações são desencontradas, tantos falam e não dizem coisa por coisa. Não acredito em ninguém, só sei que Clô e Louro estão mortos. Leo foi indiciado, mas não existem provas. Raul, também, até o pastor foi chamado para depor. Graças a Deus, não mexeram com a gente aqui da repartição. No fundo sabemos que uma investigação custa caro e quem vai querer gastar dinheiro investigando o assassinato de um casal de negros pobres do subúrbio?

É dura nossa realidade!

segunda-feira, 19 de março de 2012

LÂNGUIDOS

Atravessei a rua morosamente e
me deparei com você do outro lado.
Com um gesto de cabeça, cumprimentei-o.
Sorriu e correu aproveitando o sinal.

Assim nos vimos naquela tarde ensolarada
no porto da barra.
Ontem, tudo tinha significado.
Hoje, NADA!

domingo, 18 de março de 2012

Ignóbil

Oh solidão miserável e mesquinha,
a ti ergo uma taça de vinho,
a ti canto louvores!
Ai de mim, se não fostes...
Ai de mim!

Solidão miserável e mesquinha,
agradeço todos os dias
por ter chegado assim, mansamente,
transformando meus dias,
iluminando minha alma.

Solidão miserável e mesquinha,
tu transformastes meu ser fútil e inútil
e hoje por ti sou feliz e realizo coisas.

Coisas para mim, digo de passagem
Coisas preciosas!

sábado, 17 de março de 2012

Clô II

Gente, vou abrir um parentese aqui pra me defender: Não vou dizer quem, mas alguém anda espalhando por ai que  estou escrevendo sobre Clô por vingança a Leo, pelo fato dele não ter se separado dela pra ficar comigo, geeeeeeeeeeeente, eu não quero mais ele não, oxente, vou fazer o quê com ele, assim, "eunuco".
Tudo aconteceu naturalmente, quando conheci Clô, vi a beleza de alma humana que se apresentava a minha frente e ai como sou um pouco volúvel, mudei de personagem. Posso?! Oxen, me deixem, leiam se quiserem. escrevo como terapia!

Pronto, depois desse breve parentese, vou continuar a estoria: Clô, não sei se contei, conheceu Leo quando tinha 19 aninhos e acabado de perder a mãe em consequência de uma cirrose, não vou contar os detalhes, porque realmente não interessam, se conheceram em uma dessas festas de ruas de salvador, Leo recém separado precisava de uma mulher pra cuidar de suas coisas e ela de uma casa, conjuntura  perfeita para um romance e um casamento que durou fatídicos 7 anos. Tempo necessário para ele se firmar e ela amadurecer. "Foi muito bom pra mim, D. Jana e pra ele também. Crescemos juntos, e por isso não acho justo, a maneira que ele tá me tratando".

Clô fala isso porque, depois de muito tentar amigavelmente, precisou entrar na justiça pra conquistar uma pensão de 20% sobre os rendimentos líquidos de Leo como professor de historia na rede estadual. "Fiz tudo por ele, hoje se ele está bem, foi graças a minha dedicação como companheira, não é justo o que ele faz comigo, me humilha na frente de nossos amigos".  Não ligue pra isso Clô, ele está magoado, mas você fez certo, fique tranquila isso vai passar, ele é um homem inteligente e vai entender!

Pois  bem, a vida de Clô não está  tão boa como eu pensava, da ultima vez que ela fez faxina no escritório me confidenciou que  desconfia  de  Lourival ,  "Ele tem andado meio estranho, não quer ir mais  a Igreja, reclama d o dizimo. Tenho medo, D. Jana que ele tenha uma recaída."  Sim, e se ele tiver, o que você vai fazer?   "O que eu posso fazer? pra dizer a verdade, acho que me precipitei em assumir uma relação dessas de alto risco, mas confiei tanto nas palavras do pastor, na possibilidade de cura. Hoje acho que não se cura essas coisas"! Realmente, também não acredito que  tenha cura, porque não  é doença! Pedi desculpas, mas realmente não podia continuar a conversa, tinha muito serviço pra fazer, mas combinei com ela de conversamos durante a semana.

Essa posição de coadjuvante é muito estranha pra mim, sempre estive no olho do furação, agora, posso ouvir e até dar conselhos pra outras pessoas. É isso que vai acontecer daqui a pouco. Fiz um bolo e preparei um café preto pra esperar Clô.

Dormi no sofá enquanto esperava Clô, olho pro relógio e já são 10 horas da noite,  ela não veio, interfono pra portaria, não escuto direito mais acho que o porteiro me diz que não apareceu ninguém me procurando. Vou direto pro quarto e caio na cama.

Quando chego no escritório, Cris me pega pelo braço, me conduz até uma sala, fecha a porta e me mostra o jornal. Atordoada olho pro jornal e vejo a foto de Lourival e de Clotildes estampada na primeira pagina da sessão policial. O Que significa isso? "Leia!" Cris me diz com os olhos esbugalhado e entortando a boca. Li tudo, mas não estou entendendo, falei isso e acho que desmaie, acordei minutos depois com toda a equipe do escritório em cima de mim!

terça-feira, 13 de março de 2012

Clô I

A vida é uma grande lição e pra aprender basta viver! ehhh... tô virando filosofa, também com as coisas que tenho passado! Vamos lá, preciso explicar porque mudei de protagonista. Todos já sabem que tive um breve caso com Leo, durou o que? uns15 dias,, não mais! Depois que conheci Clotildes a ex dele  e antes mesmo, Leo vinha perdendo seu brilho de personagem, agora os holofotes estão sobre Clô. Mulherzinha da porra, viu! Porra!  27 anos, largou um marido broxa pra se aventurar com um ex-gay, precisa mesmo muita coragem e isso não falta pra essa menina negra, órfã, estudante de letras em uma dessas faculdades particulares de Salvador, mas com muito orgulho.

Pois bem, quem pagava a facul dela era Leo, agora que eles se separaram, pra continuar seus estudos, tem se virado, até faxina faz e Louro paga o aluguel de uma casinha lá na Ribeira do seu salário de porteiro de um prédio de luxo na graça. "É uma vidinha sacrificada,  mas com prazer!" é o que ela sempre me fala quando nos encontramos. Ela faz a faxina do escritório no sábado e vez ou outra tenho que trabalhar nos fins de semana e ai agente conversa enquanto ela arruma e eu paro pra tomar um cafezinho  folheando a revista do Avon , agora ela é minha revendedora, mas continuo com Sheila comprando Natura.

"D. Janaina (já pedi mil vezes pra ela parar de me chamar de dona, ela chama todo mundo assim de dona e seu) a sra já viu a promoção daquele pó compacto que a sra usa? tá na pag. 10, olha ai!" Anotei meu nome de caneta na revista, tomei meu ultimo gole de café e fiquei ouvindo os relatos dessa mulher retada sobre sua lida pra se manter estudante, trabalhadora e mulher, buscando sempre o prazer. Agora Clô virou minha heroína!

Sábado ensolarado, horário de verão, dei carona pra ela até a Ribeira com o pretexto de tomar um sorvetinho na sorveteria mais famosa de Salvador,  aproveitei conheci a casinha dela, Louro tava lá terminado o jantar e depois saímos os três, a fila tava enorme. "D. Janaina, a sra quer de que mesmo?" Côco verde!

Humm... que delicia, realmente não tem coisa melhor que tomar um sorvete em um dia ensolarado, olhando esta vista maravilhosa da Ribeira, pena que tem muitos barcos encalhados enferrujando ao sol.
"...e o prefeito pulando o carnaval com sua nova mulher" Lourival interrompeu meus bucólicos pensamentos com suas ideias politicas. Realmente, vi pela net, o povo tá indignado!

Pois bem, depois desta tarde maravilhosa fui pra casa assisti um clássico no canal fechado: Anna Karenina!

segunda-feira, 12 de março de 2012

Leo (capitulo III)

Nem preciso dizer que não recebi o diploma, né! mas mesmo assim Leo insistia com a estoria da magia, comprou até um varinha de bamboo pela internet que demorou um mês pra chegar e todo dia no mesmo horário ele  ligava  pro escritório a ponto dos meus colegas nem mais atenderem o telefone quando dava 16:45. Trimmmmmmmmm... ! " É Leo,  Jana, atenda ai"!

O legal foi que acabei fazendo um monte de amigos e amigas, todos ligados em bruxaria e eles não se importavam com o fato de eu ser a pior aluna,  não eram esnobes, me tratavam igual. No dia de receber  o diploma, minha mestra bruxa maior, me passou um sabão: "Vc tem potencial e fica ai desperdiçando, não vou te dar o diploma pra ver se vc repete o curso e melhora, eu ainda  dou uma meia bolsa porque confio no seu poder."  A festa foi maravilhosa, até me arrependi de não ter me dedicado, vi as expressões de realização em cada rosto, eu poderia está assim também se não fosse minha resistência.

Mas, voltando a Leo, a vida dele deu um reviravolta, se separou de Clotildes e mora sozinho agora nos Barris em um edifício em ruínas, mas ele tá se recuperando aos poucos. Clotildes se emancebou com Lourival, ambos estão na igreja universal onde ele fez um "tratamento pra se curar do homossessualismo". Até quando essa mandinga vai funcionar?! Ehhh o ruim é a despesa com a manutenção do tratamento, uma mesada de 30% do orçamento liquido para a igreja todo mês, tá pesada! mas tá valendo a pena, pelo menos pra Clô.

Clô para os íntimos e não é que nós ficamos amigas! Um colega meu do curso é amigo de Louro e numa saída dessas de heppy hour ele me apresentou o casal. Ahh meu Deus, Leo nem pode desconfiar! olha gostei muito do clima entre eles, se não fosse a questão dele ser gay e querer se curar, isso pra mim é demais, não confio neste tipo de bruxaria, mas deixa ele se enganar, o importante é que senti a felicidade nos rostos deles... só Raul olhava assim meio tristinho pro casal. Acho que houve algo entre ele e Louro. Só o tempo!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Leo II

Ai meu Deus!  era o que eu ia dizer se Leo não entrasse porta a dentro, interrompendo até meus pensamentos. "Vc precisa me ajudar"  Lá vem bomba! que foi, criatura?  "Tô numa pior, minha mãe morreu e minha mulher anda me traindo com um gay". Com relação a mãe dele, realmente eu sentia muito, mas sobre a mulher, tive que conter o riso pra não ser indelicada. Coitado! até tive vontade de coloca-lo no colo, mas me contive. Humm...preferir ouvir a historia toda porque Leo é traiçoeiro, vá lá que tenha inventado tudo isso pra chamar minha atenção.

Depois de um litro de café e uns cinco cigarros, Leo chorando na minha frente, repete pela centésima vez a frase fatídica:  "Só você pode me ajudar"  Imagina! Como?  " você é wicca"  Como! você tá me chamando de bruxa, criatura?!  "Não é isso, é bruxa no bom sentido, tanto é que o nome pós moderno é wicca"  Sim! Tudo a mesma coisa! mas que historia é essa de bruxa?!  "Lembra-se naquela viagem que agente fez pras montanhas e você, na janela, estava se energizando?!"  Hummm... e daí?  "Daí eu senti que você tem poderes."  Ai meu Deus! Agora, eu pude dizer!

Que poderes, poderes pra que? Ohhhh meu Pai! me deixe, menino! Oxente, vá procurar o que fazer, disse isso e o empurrei para  fora, batendo a porta na cara do sem vergonha!Vá de retro, satanás! Quanto mais eu rezo ...

Mas tive que abrir porque a peste fazia o maior escandalo no condominio, até o porteiro interfonou: "Dona Janaina, o que está acontecendo ai que o seu vizinho de porta ligou pra cá pra ..."  Ok, vou resolver!  Entra, porra e cala essa sua matraca. "Por favor, me ouça, você á a minha unica amiga!" Amiga?!  tá!  Você quer que eu faça o quê?! sua mãe ja morreu, não tem bruxaria certa. "Não, isso não tem jeito, mas quanto a Clotildes ainda podemos fazer alguma coisa".   kkkk... sei não, bruxa faz feitiçaria e não milagre. rsrs... oh meu Deus!

"Clotildes vivia dizendo que tinha nojo de Lourival e eu que sou contra a homofobia, procurava defender as questões homossexuais..."   Então, ela entendeu... Ohhh.. acho que você é que está sendo preconceituoso, deve tá com medo de doenças, mas hoje esse grupo, vc sabe se cuida muito melhor que os heteros. Fique tranquilo.  "Não é isso tenho certeza, é que acho que ela tá se apaixonando"  Corre o risco, você assim, né, meio broxa, já tinha te avisado, mas você confiando na dependência financeira e emocional dela, não quiz me ouvir. Agora, é tarde. "Tarde não!".

"Eu andei pesquisando pela internet e vi que existe cursos para bruxas, você faria?"  Não. Fui curta e grossa, já não aguentava mais quela ladainha,  tava tarde e eu queria dormir. Leo, pelo amor de Deus, amanhã agente conversa, OK?! mas nada, ele não arredava o pé e eu tive que meio sonolenta, misturando sonho com realidade, ouvir o que não ouvia e concordar com o que eu não concordava. Pois foi assim que Leo me matriculou em uma escola pra bruxa, mas não era em Hogwarts, era aqui mesmo em salvador.

Em Amaralina, numa ladeira, numa rua estreita, numa casa escura decorada com objetos macabros.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Leo

Eu podia falar de seus pelos, de suas unhas, de seus dentes. Podia falar de seus músculos, mas o que chamou minha atenção foi seu miado... rsr... miado? Não, seu rugido! De como ele demonstrou se sentir enjaulado, usando as palavras - Suave, indignado, e ao mesmo tempo disposto a quebrar a jaula, pular o muro e buscar a selva, o desconhecido. Homens assim são raros, amigas me dizem que não existem, são personagens. Pois bem, Leo será agora o protagonista de minha ficção. Vou permitir que ele apareça e se apresente, aos poucos.

Primeiro, preciso esclarecer que o nome dele não é Leo, eu acho que isso é obvio, mas algumas pessoas poderiam confundi-lo com algum Leo conhecido meu, na verdade dei esse nome porque ele é leonino (o signo) e por ser assim um pequeno nome, apesar dele ser um grande homem!

Ele ficou indignado quando soube da minha intenção de ficcionalizá-lo, mas aos poucos foi aceitando este traço da minha personalidade - tenho essa mania, talvez a forma de prender, sei la! Em diversos momento da narrativa, vocês se depararão com sinais que vão evidenciando a verdadeira identidade da criatura. Agora, calma, muitas coisas não são bem assim - também,  nem preciso dizer!

Ele esta muito chateado e fica emburrado pelos cantos, resmungando e as vezes mostra os dentes e as unhas. rsr.. meu Deus, ele pensa que eu tenho medo dele...Ohh.. Leo, você pra mim é um gatinho!
Agora ele diz que não quer ser um bonequinho,  um brinquedinho nas minhas mãos, só porque eu quero transar com ele e o pinto dele não cresce ...Bammmm... e eu tenho culpa!

Bom... nem sei se é bom, maneira de dizer, Leo tem 38 anos, adoraria na verdade que ele tivesse 25, assim
faria sexo melhorzinho, né (Porra!! a criatura nem sabe usar uma camisinha) , mas eu passo por cima desses PEQUENOS DETALHES POR AMOR! rsr... Minhas amigas, universitárias, preciso sempre consultá-las, dizem que transam com homens mais velhos que Leo e são bons, Porra, não falem assim, eu que sou azarada! Peguei um cara mais novo que eu, mas tá bichado!


Vamos deixar essas elucubrações de lado e vamos voltar pra estoria...Leo não é só um homem assim pra ser usado sexualmente, ele também pensa e pensa bem, raciocina na verdade, é um pensador, seu grande charme...

Bem, como disse, leo é um pensador, pensa tanto que não funciona como homem, mas eu adoro palavras, apesar de que com o tempo fui percebendo que palavras só não satisfazem, mas fui assim mesmo pra ver se "naquele mato nascia coelho" tentando faze-lo acordar daquele sono profundo, tão jovem e tão, como ele mesmo diz,  "eunuco".

"Eunuco"  - lembram-se desta palavra proferidas diversas vezes na biblia, nos livros escritos por Salomão, ou melhor, pelos seus escribas. Os eunucos tomavam conta das mulheres de Salomão e para não transarem com elas, os pintos deles eram cortados.  Ai... mas, Leo tinha pinto, tinha né, porque há muito já morreu, só resta um caco!

Mas, é isso gente, o rosário é muito grande e eu não estou aqui pra gastar minha tendinite com tacanho homem.
Fiquem à vontade pra imaginar a criatura tentando me satisfazer sexualmente e a minha grande paciência que
se esgotou em apenas 15 dias.

O que eu mais admiro no ser humano é a grande capacidade de criar imagens!



domingo, 26 de fevereiro de 2012

DISPERSÃO

As palavras buscam saídas
nas ideias, nos sentidos.
Perifericamente rondam o centro,
os símbolos, as bandeiras.
As palavras almejam ser.
Vou plantar num caqueiro um pé de letras.
Espero que quando nasçam as palavras,
venham os beija-flores!

DESEJO

O rastro de luz, quando passas,
incendeia-me e eu em fogo
sigo atras ...

ahhh... queimo-me viva
e as labaredas de chamas
que saem do meu peito,

angustiadas de amor,
percorrem todo o vermelho
do cortejo.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A dor

Passou
O que fica é só aquela sensação de cansaço
de uma luta inglória devido a certeza de que tudo foi
de acordo.
Se não houvesse o "se" esta palavrinha
que tenta mundar algo imutável, impossivel.

Se tivesse uma infancia feliz
Se algo tão terrivel assim não tivesse acontecido
Se mamae e papai tivessem se amado de verdade ao te conceber
se, se, se ...

uma dor reflexa,
não esta mais aqui
é passado,

mas o coração sente
uma falsa pulsação
que se acostumou a sentir
a representar a dor

A dor passou

Gostaria agora de poder compor um poema
que ao ser apresentado acalmasse essa dor que
dizes sentir, mas entendo que precisas dela
pra sobreviver.

A dor é vida pra você,
amigo!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

REVOLUÇÕES



Na instabilidade geracional
dos mundos ele surge
disciplinado, coerente.
Farol.

Em nome da ordem e da harmonia
ele é enviado
e com seu olhar rastreador
encontra sempre o caos.

Um grande tabuleiro se arma
em sua presença.
uma força intrínseca move as peças
dispondo-as ao confronto.

Os lados de dentro e o de fora
resistem  até que caem as torres,
fogem os bispos,
morrem de sede os cavalos e ...


a  rainha e sua corte mudam de lado.














segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ESCRAVAS


Quero, em todo caso, dizer o que penso
disso tudo: 
as vezes acho que sei o que sinto,
mas se for pensar bem, não sinto nada.

Mas, continuando...
o que eu realmente tava dizendo?
Prosaicamente falo sobre a vida,
sobre minhas ideias, já que meus
sentimentos não sei dizer, nem sentir.

Forçosamente tento me expressar
e uso as palavras velhas e novas.
Busco, no dicionário da minha mente
as palavras precisas, porque preciso.

São todas escorregadias, lambuzadas de
sangue e ainda ligadas ao cordão umbilical.
Literalmente, digo o sem-sentido, 
tentando ser mais que sincera.

Ehhh... não sei se me fiz entendida,

A grande parada é a sacada
de onde vejo os carros passarem,
a confusão de gente

e o filme rodando...

As vezes, acho que tá tudo bem,
mas ai vem os outros.

Os outros são foda!

Procuro olhar nos olhos dos outro
esquivo, mesquinho, assim como no
espelho.

Vejo um suposto eu escondida atrás da pilastra.
Distraidamente.

Escolho algumas palavras para me definir,
saio fuzilando com os olhos.

Palavras,
quero todas a meu serviço,
empregadas e mal pagas.
Representando-me!








sábado, 11 de fevereiro de 2012

Tesão

Quando tudo deixar de ser apenas
o burburinho de vozes na alcova
pra se tornar musica,
eu ouvirei sua canção, amor!

Por enquanto, prefiro os gemidos
de sua garganta rouca.
As suas mãos suadas e fortes
segurando minhas coxas.

Oxalá, que suas pernas firmes e fortes
aguentem o peso do meu corpo!
.










sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Beija flor (de verdade)

beija com seus lábios
em flor os meus
néctar de prazer e dor
o gozo de nossa união

capta a luz criando vida
energia, matéria
semente disseminando
ao vento o germe de paixão.

Preciosa luz reflexo do bater das assas
assim parados no ar,
respiremos harmonia
e paz

conecte-me ao meu eu
precioso cheio de amor
e luz

Vibre o planeta

transformando-o.







quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Inspiração

As palavras que lançamos ao vento
são sem sentidos,
mas busquemos dar sentidos a elas:

Imaginemos ali, no espaço tempo
que são produzidas, o amor.
Brindemos a ele numa taça alta de champagne.
Nossos braços cruzados nos colos -

Viva a essa coisa insane
fruto do vento que sopra
e nos carrega como folhas.

Assim como o vento traz,
o vento leva.

Seguremos ao máximo o ar nos pulmões,
soltando e produzindo assim levemente
as palavras.

Sem presa, meu doce, vamos curti esse momento.

Em que meus olhos olham os seus,
minhas mãos tocam as suas,
minha língua penetra  sua boca.

Vi agora mesmo os signos  pela janela
do meu quarto escuro,
ali onde produzo sonhos.

Reflito em virgília,
tentando montar um cenário
para que nós dois personagens,
possamos marcar precisamente a hora certa da fala.

O momento exata para sermos nós.
Juntos criaremos uma canção
para  nela voarmos.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Escolha

Estamos sós
de novo.
Sem nós
como sempre.

Escolhemos os passos longos,
apressados, sem laços.

Escolhemos a solidão.

Estamos sós.

Decidimos a parada
sem embaraços,
sem despedidas.
Foi fácil.

O pequeno gesto
de amor, de devoção
congelamos no ar.

Estamos sós.

Acostumamos
com o coração quieto,
os braços livres.

A mente tranquila,
O quarto vazio
sem cheiro de sexo.

Estamos sós

de novo.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Mãe

A ultima coisa a sair, foi a placenta
vermelho vinho roxo - o alimento
que ofereci pra você.

Agora, apesar do leite que brota em meu peito,
podes beber nas tetas mecânicas de quem finge
te amar.

Estás livre das entranhas da tua mãe,
solto, podes crescer e se tornar um homem:
trabalhar, casar, ter filhos,

escrever um livro!

AURORA

Diante da sua recusa,
das suas impossibilidades,
eu recolho meu amor.

Deita seu corpo pesado nos lençóis suaves
que forram sua cama e
tranquilamente adormece.

Invejo seu sono solto
porque, eu estou aqui
como um zumbi
condenada a escrever
para aliviar a dor
de te amar assim, naturalmente
assim espontaneamente
como um fogo-fátuo.

A noite abafada.
O vento desvia da minha janela
e percorre todo o caminho lá fora
vasto, imenso e escuro.

Com muito esforço,
uma nesga de luz rasga
o quadro da ignorancia.

Quem me visitará agora?
Quem, ouvindo o lamento, me socorrerá?

Não tenho amigos
Não tenho amantes

Não tenho medo.

Enche de som e luz, a aurora.

Este mundo é seu, meu bem


Algumas palavras ferem mais que tapas
Algumas palavras são mais duras que metais
Algumas palavras são falsas.

Eu continuo viva apesar de suas palavras.
Apesar de suas mentiras,
eu continua viva. 

Envelhecendo é verdade, mas viva.
e agradeço
pela oportunidade de crescer com você

Que nunca foi meu amigo,
Que nunca foi meu amante,
Que nunca me viu de verdade.

Nem sei o que posso dizer agora
Nem sei o que posso pensar agora
Nem sei o que posso sentir agora

Agora tudo se esclarece
a luz fosca que iluminava minha mente clareou
e eu posso ver a sombra da verdade

Com isso eu posso ter paz

apesar de você
apesar de saber
apesar de doer

um mundo de aparência lá fora
um mundo de falsidades   (lá fora)
um mundo de hipocrisia    (lá fora)

e
eu erecta tento me equilibrar
nesta corda bamba
neste mundo que não é meu

Este mundo é seu, meu bem!









O MAR

Buscando a luz,
tateio as paredes.
O interruptor reflete um filete de claridade,
acendo e enxergo seus olhos molhados de peixe,

de ressaca da maré.

Em meio a montanhas,
um peixe
escaldando nas pedras.
Seguro-o firme
e coloco-o no rio,
"mas  peixe de água salgada more na doce"
é o que dizem.

Ele vive.
Se adapta pra mim
que o salvei intencionalmente,
porque gosto de peixe
(não se preocupe, não é pra comer, LITERALMENTE!)

Meu peixinho dourado e vermelho,
peguei seu corpo firme, frio e escorregadio
cheirando a maresia e, ... dançamos!
Encostou a boca no meu ouvido 
contou como chegou a este lugar improvável.

RESUMINDO:
Possessões, reinados e guerras...
Seu corpo  caiu no mar,
virou peixe e nadou até aqui, como disse,  pra me encontrar
Lindo, peixinho,
Lindo!

... subiu as montanhas no vapor do ar...












quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

PRESENTE

As pernas centopéicas do tempo
fazem cocegas no meu corpo.
Tomo tento das coisas
e saiu no sol quente,
buscando prazerosamente
aquecer minha pele
ancestralmente transparente.
As vezes penso ser feliz
antes de senti a vergonha
se ser humana,
de estar além de balzaquiana,
a meio caminho de extinguir-me.
Ai sinto a decadência
mas não do corpo, já obvio,
e sim da mente racional
que tentam imprimir a mim,
mulher, como uma pencha.
Quanto mais as perninhas desse
bicho mecânico caminham
em um circulo perfeito, mais a razão
me escapa (nasci com um pouquinho dela,
herança cármica humana).
Aqui parada diante dele, imagino o futuro
e PERCO O MEU PRESENTE!








sábado, 7 de janeiro de 2012

MUNDO VELHO

Deparo-me com um grande objeto a minha frente,
pretenso construtor e destruidor do tempo,
caminha em circulo e marca
as horas de luz e sombras.

Minha  consciência sonolenta
diz que preciso levantar e sair dessa zona de conforto,
mais é duro - Dentro dela sei quem sou.

Construí um castelo,
escolhi pedra por pedra,
colei com uma cola especial elaborada no laboratório
do meu corpo astral e habito nele sozinha.

Uma solidão escolhida.
(uma solidão egoísta)

Sigo a grande avenida que conduz ao turbilhão da vida social,
nela as almas se afirmam,
o outro, simples ponte -
tapete vermelho onde caminha a estrela -
no final. o palco e a estatueta.

Quem dera poder ter mente e não entender,
coração e não senti a indiferença,
ouvidos e não ouvir as palavras vazias
anunciadas pela voz eloquente de um grande
e enganoso orador.

Mas estamos num mundo cercado
de necessidades ...

O grande milagre é entender!

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Sobre flores e nuvens (plagiando meu amigo)

Quando viestes procurar por mim
eu estava tranquilamente no recreio,
nem tinha percebido que o sinal batera
há uma hora.

Viestes por que notara a minha ausência.

Ouvi meu nome pelo ar e prontamente olhei,
nem tive tempo de reconhecer a tua voz e
a tua mão já estava sobre a minha como uma
garra  -  me deixei levar.

Entrei nas sala sob o olhar reprovador do mestre
e os sorrisos moleques dos meus colegas.

Distraída olhando as flores e
vendo as figuras que o vento monta
nas nuvens, sempre me atraso -
já não há surpresa.

Uma aluna repetente.
Quanto tempo achas que serás tolerada?
o mestre pensa mais não fala - essa lição eu aprendi
- leio as mentes, mas não adianta - pouco entendo!

Meu sorriso amarelo não desmancha a cara feia de ninguém,
há tempo que não consigo mais comover, só a ti, meu
grande amigo, irmão.

Quando termina a aula, continuas a me puxar pela mão e
espremendo-me no canto, solta o verbo: ouço-te cabisbaixo
respeito-te, mas não sei o que fazer, as flores e as nuvens me
fascinam e eu penso que me comunico com eles, exercem
em mim um encanto.

Desistes, apesar de sempre falar  as mesmas
frases, acreditas em mim.

- Só que há uma urgência na vida e agora precisa  ir correndo
pra venda ajudar a mãe e o pai. Vai!

Saio correndo com os olhos  na frente
tentando ver se há alguma novidade no caminho:
um novo ninho, uma flor aberta.

As pobres borboletas voam assustadas com a minha passagem.

Rio e choro de alegria
é tão bom correr e olhar!

SEMPRE ELE

O mesmo verniz  ilustra as nossas caras
de amantes marginais
o mesmo oco no peito pela incapacidade
de sentir o que tanto se repete

é a falta da presença

dos lábios das línguas das coxas
das bundas das nucas dos olhos
DAS CARNES

Ahhh... saudades

de você dentro de mim

do gemido do grito

Vou me achegar nos braços de outro
tentar ali um conforto
um gozo pequeno
já que nos perdemos INFINITAMENTE
Já que não há paz

Assim que chagarmos ao fim
uma centelha de luz se espalhará
e iluminará esse EU que sou eu
que eramos NÓS

Com ele sem amor SEREI FELIZ
Com ele sem amor SEREI LIVRE

O AMOR É UMA DESGRAÇA!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Um olhar poético sobre o trágico desaparecimento de um pássaro

Um pequeno pássaro azul cintilante
morre ao se chocar em sua alma emuralhada,
prontamente suas mãos gordinhas e suadas
apanham o beija-flor e como um troféu
mostra a sua outra (a verdadeira amada simples e fiel).

Com a boca entreaberta como se chocado,
o olhar marrom claro de barro molhado
enterras o beija flor nas curvas da estrada íngreme
que desces segurando nos freios.

(Entendo quando falas que é assim NATURAL,
que se completarmos a sentença surgirá um verso lógico.)

Enterras o pássaro porque ele morreu com o seu pequeno cabedal -
buscando coerentemente do achado,
do gesto de se apanhar com as mãos,
de se enterrar nas curvas da estrada
pedregosa e escorregadias que nos leva as muralhas antigas,
moradas de velhos pretos sonhadores
enterrados ali mesmo ao pé das montanhas:

a racionalidade dos fatos,
dos contos, dos mitos,
dos heróis.

Um pássaro azul cintilante desconhecedor
dos ritos iniciáticos da razão.

Enquanto isso árvores centenárias,
que ouviram lamentos de dores,
uivos de prazeres, confusões de corpos
por vezes amando, por vezes morrendo,
sombream almas de pretos velhos pelambulando
ao  redor da pequena cerimonia fúnebre:

o funeral do pequeno beija flor da chapada.

Alguns rezam o terço,
outros fumam charutos.

Batuques e atabaques quem ouve
são as silenciosas montanhas,
as águas geladas das cachoeiras,
as grutas escuras onde peregrinos do mundo
inteiro se abrigam
em busca de respostas pra essa infinita dor
que há no desaparecimento de um pássaro.

As marcas, deixadas nas arvores altas e gordas
de nomes de casais casados e amantes que
rasgaram a carne dura dos troncos
pela busca da eternidade desse encontro,
olham por sua vez o descampado.

Outros pássaros também participam do cortejo,
cantam melancolicamente a melodia
determinada para essas horas
de pura reflexão sobre a dor intensa,
sobre a falta.

As flores silvestres
amarelas, rosas, lilases
enfeitam e dão perfume ao trajeto
onde passas com as mãos em conchas
e o pássaro dentro ao caminho da morada
final dos corpos.

Tranquilamente, os outros pássaros, as montanhas
o pretos velhos  e as flores
estão a espera do voo livre do pequeno beija flor
assim que se termine a sessão.

O subterraneo sofreu também um leve abalo -
rochas se fundindo  amorosamente
precipitaram-se para fora
tentando ver e ouvi a voz da dor  no cume das
montanhas, buscando nisso excitamentos,

surpreenderam-se e  iregelaram-se
ao ver a sombra das assas abertas
projetadas  como monstro pre -histórico nos
paredões,

do voo azul cintilante de um pequeno pássaro morto.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

As flores do deserto

O avanço silencioso do deserto em minha alma lembra-me um filme,
uma personagem, um enredo que não é meu.
Lançando mão de meus acessórios heroico, 
sobrevoo o campo devastado
como uma mão, a corda desce, certa do socorro...

O deserto é um estilo de vida!

Dirigindo a vida como um carro
atravesso diversas clareiras
e minha alma compostas de prazeres e poucas dores
surpreende-se com os horizonte de vazios
(donaires capazes de dar sentido)

O deserto é fértil!

Na ânsia de abrir a porta,
a chave se quebrou dentro da
fechadura.

O deserto persiste é lá fora!

Pra fugir do vendaval de areias
construí uma cabana que igual a dos porquinhos
foi devastada pela fome.

Virei toucinho!

Costeletas tão finas palitam os poucos dentes
do lobo mau que me comeu.

Lobo velho e desdentado, mesmo assim caça
e antes de derrubar as cabanas construídas
sem esmeros, simples choupanas,
o velho lobo assegura uma distância e cerca
o "pobre porquinho" sem irmãos,
sem família.

solidário à solidão, o porco
ainda ver o lobo e se apieda de seus
passos fracos e de sua boca mole
(ingenua certeza que ali jaz um predador infeliz)

Serve-lhe uma ração de porco
tentando sacia-lo com um caldo de cenouras e batatas.

Mas, a carne tem um cheiro...

Ao retornar  no dia seguinte com
a boca desmanchando-se em águas
e o olhar chamejante,  o lobo cerca o porquinho
que agora (tarde demais) compreende ao ver
o facão na mão,
o coração dispara.

A cena a seguir
o principio de tudo:

O lobo à mesa solitário
chupando os ossos de um pouquinho assado
de olhos esbugalhados.

A moral da história:

Uma fome secular atravessa as fronteiras do deserto!

Deixarei que as poucas palavras que aprendi
no primário voltem e se transformem em poesia
simples, mas necessária para hoje, AGORA.

O remédio pra minha alma cansada de não fazer nada
que nasceu congenitamente cansada,
séculos de cansaço em uma alma de mulher
de 40.
que inventa o amor, encadeando palavras
em um silogismo ilógico

Ficarei em um descampado pra tomar a  chuva rara do deserto.

As flores do deserto brotam em meu peito
e com ela fiz essa canção pra você,
meu velho lobo
solitário,
dançarino.

O seu deserto  invadiu o meu!




domingo, 1 de janeiro de 2012

ANDARILHO

Rasgando montanhas

vales, rios e passos

acrescentemos o silêncio sepulcral

empulhando marcha.

Sentido: horizonte fechado.

Ele não sabe pra onde vai.

sem guia, fecha-se o tempo.

Bastavam as marcas nas pedras!

sem guia, fecha-se o tempo.

Ele não sabe pra onde vai.

sentido: horizonte fechado

empunhando a marcha,

acrescentemos ao silêncio sepulcral

Vales, rios e passos

rasgando montanhas!